"Mesmo considerado eficiente, o atendimento na área da saúde voltado aos povos indígenas ainda esbarra na resistência por parte dos mesmos em aceitar determinados tratamentos". A afirmação foi feita pelo presidente do Conselho Municipal da Saúde Indígena, Oswaldo Reginaldo, na tarde desta sexta-feira (13.11), durante solenidade de assinatura do Plano de Trabalho na Atenção Básica aos Povos Indígenas, ocorrida no auditório do Planurb.
Pelo plano serão liberados R$ 550 mil anualmente para executar as ações complementares do pacto firmado entre a Prefeitura de Campo Grande, Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e conselhos municipais de Saúde e Saúde Indígena. Campo Grande faz parte dos 27 municípios de Mato Grosso do Sul a receberem o recurso do Ministério da Saúde.
"Nosso povo está acostumado à medicina natural a base de ervas e plantas cultivadas por eles mesmos. É importante introduzir os tratamentos modernos, mas de uma forma suave a qual eles poderão aceitar sem criar um choque de cultura e romper algumas resistências", observou Oswaldo Reginaldo.
Oficialmente, existem hoje 3.065 indígenas das mais diversas etnias vivendo nos bairros de Campo Grande. "Este Plano está dentro das diretrizes da Lei Aroca, que cria um subsistema dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender, de forma específica, as famílias indígenas. O prefeito Nelsinho não mediu esforços para garantir esse recurso que, a partir de agora, vai garantir um atendimento ainda melhor para os índios que residem na Capital", ressaltou o coordenador regional da Funasa, Flávio Britto.
Para o secretário municipal de Saúde, Luiz Henrique Mandetta, existe a necessidade dessa mudança para atender de forma específica os povos indígenas. "Quando abandonam as aldeias, essa população está vulnerável aos problemas urbanos como drogas, violência e outros que afetam diretamente a saúde da pessoa. Temos um diagnóstico de que grande parte dessa população desaldeada que vive na cidade apresenta quadros de diabetes, hipertensão, enfim, necessita de um acolhimento com condições de serem tratados dentro da sua cultura. Assim como já existe o programa da mulher, do idoso, que recebem tratamento específico, os índios estão acostumados a uma cultura diferente, cujo tratamento é feito à base de ervas e plantas", explicou Mandetta.
O secretário explicou, ainda, que os profissionais contratados para o quadro efetivo do Plano de Atenção Básica aos Povos Indígenas serão capacitados para realizar atendimento sem desprezar a cultura milenar que as etnias carregam. "Os profissionais deverão agregar esses conhecimentos. Não vamos desprezar essa cultura medicinal. Os agentes de saúde indígena serão capacitados para utilizar o que essa cultura tem de positivo a oferecer", assegurou o titular da Sesau.
O prefeito Nelsinho Trad informou que num curto espaço de tempo esse atendimento estará ao alcance da população indígena, dentro da rede pública de saúde. "É um plano inédito que, em minha avaliação pessoal, vai servir como exemplo às demais Capitais no que diz respeito a um atendimento desenvolvido com qualidade e respeito para a cultura indígena", avaliou o prefeito.
Fonte: PMCGCadastrada em: 13/11/2009