No dia três de agosto a Vigilância Sanitária inicia uma fiscalização nas drogarias de Campo Grande. Os fiscais vão verificar o cumprimento da lei federal 5991, de 17 de dezembro de 1973, que determina a obrigatoriedade de todo estabelecimento que comercializa medicamentos possuir um profissional farmacêutico durante o horário de funcionamento.
Em abril deste ano a Vigilância organizou uma reunião com os proprietários das drogarias (que somam 187 estabelecimentos na Capital) e estabeleceu um prazo de noventa dias para se adequarem às normas sanitárias. De acordo com a lei municipal complementar nº 36, de 22 de dezembro de 2000, o não cumprimento da determinação é considerado falta grave. A multa prevista varia de R$ 3358,00 a R$ 7275,00.
"Quando o consumidor chega no balcão das drogarias a maioria dos atendentes é leiga. É importante a orientação de um profissional farmacêutico, que conhece a administração correta dos medicamentos, as reações adversas, em síntese, que pode informar ao consumidor sobre o medicamento prescrito", explica o Chefe do Serviço de Fiscalização Sanitária da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Antonio Carlos dos Reis Cardoso.
A conseqüência do problema já repercute na saúde da população. "Uma das maiores causas de intoxicação no Brasil são os medicamentos por causa da venda indiscriminada do produto", alerta Antonio Carlos.
Uso Indiscriminado
Pesquisa feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que mais de 10% das internações hospitalares são provocadas por reações adversas a medicamentos. O primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em seres humanos são os remédios, de acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox).
Para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o consumo indiscriminado de medicamentos está diretamente ligado à prescrição e à venda irregulares do produto.O consumidor não sabe dos riscos que corre, entre eles estão os efeitos colaterais dos remédios e as interações medicamentosas (combinação de medicamentos na qual um remédio pode anular o efeito do outro, ou potencializar um efeito colateral).
As crianças apresentam o maior risco em potencial de intoxicação pelo uso indiscriminado de medicamentos. Pode acontecer, entre os pequenos, a confusão de comprimidos com balinhas e de xaropes com sucos.
A Anvisa divulgou alguns cuidados com o uso de remédios:
- Procurar o médico quando tiver algum problema de saúde
- Evitar recomendações de vizinhos, amigos, parentes e balconistas de farmácias ou drogarias. Não confundir o balconista da farmácia com o farmacêutico.
- Informar ao médico quando já utiliza algum medicamento e também se faz uso freqüente de bebidas alcoólicas.
- Quando adquirir remédios de venda livre, considerados de baixo risco para tratar males menores e recorrentes, como dor de cabeça, procurar orientações do farmacêutico. Esse profissional também deve notificar às autoridades de saúde sobre a ocorrência de efeitos adversos não previstos pelo uso de medicamentos.
Fonte: PMCGCadastrada em: 20/7/2009