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Secretaria Estadual de Educação recolhe livros do ensino fundamental


Um livro comprado como material de apoio à leitura de alunos da terceira série do ensino fundamental era inapropriado para as crianças. A secretaria reconheceu que a escolha do título foi um erro.

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo mandou recolher mais de mil exemplares de um livro comprados como material de apoio à leitura de alunos da terceira série do ensino fundamental. O livro mostra desenhos de agressões físicas, verbais, tem vários palavrões e piadas de duplo sentido.

O livro Dez na área, um na banheira e ninguém no gol é uma coletânea de histórias em quadrinhos de vários autores sobre futebol. Nas histórias, desenhos de mulheres semi-nuas, expressões de duplo sentido, agressões físicas e verbais com conotação sexual e muito palavrão.

Mil duzentos e dezesseis exemplares foram distribuídos em escolas estaduais para apoiar o programa Ler e Escrever, que reforça a alfabetização de crianças. Indicado para alunos de nove anos da terceira série do ensino fundamental, o livro chamou a atenção de coordenadores pedagógicos.

Para a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, o livro reforça a banalização do sexo e tem o papel inverso: deseducar. "Se esse material transmite isso, preconceito, caricatura, palavrão, uma visão deturpada da sexualidade, então, o lugar dele não é a escola", diz Ângela Soligo, coordenadora pedagógica da Unicamp.

A Secretaria Estadual de Educação reconheceu que a escolha do título foi um erro e informou que já determinou o recolhimento da publicação. Esse é o segundo caso de problemas com material escolar registrado nas escolas estaduais de São Paulo este ano. Em março, alunos da sexta série do ensino fundamental receberam livros onde o Paraguai aparecia duas vezes no mapa e a Venezuela foi esquecida.

"Isso evidencia claramente uma falta de cuidado com a escolha do material que vai para a escola. Quem escolheu, não leu. Ou quem escolheu, leu, mas não tem formação e conhecimento para perceber que aquele não é um livro para crianças. Agora há pouco, o governador de São Paulo, José Serra, falou sobre o caso em entrevista ao SPTV.

"Eu, aliás, achei de muito mau gosto. Nós abrimos uma sindicância para ver a responsabilidade. Está sendo investigado e as pessoas que deixaram o livro passar vão ser punidas", diz o governador.

Fonte: Jornal Hoje
Cadastrada em: 19/5/2009

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