Depois de manter a investigação em sigilo por meses, a Polícia Civil convocou entrevista coletiva para detalhar o encerramento do "Caso Dudu", como ficou conhecido o assassinato de Luiz Eduardo Gonçalves. O garoto tinha 10 anos em 22 de dezembro de 2007, quando sumiu do Jardim das Hortênsias, em Campo Grande, onde morava com a família. A delegada responsável pelo inquérito, Maria de Lourdes Canno, irá detalhar o caso às 9h30 de amanhã, na DGPC (Diretoria Geral da Polícia Civil).
Acusado de ser o mentor do crime, o ex-padrasto da criança, José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, foi preso. Dois adolescentes e o jovem Holly Lee de Souza também foram detidos por envolvimento com a morte.
A Polícia começou a desvendar o mistério a partir da apreensão de um adolescente, que está em Unei (Unidade Educacional de Internação) da Capital por roubo. Foi o garoto que apontou o local onde o corpo de Dudu estava escondido, em um terreno na região da Avenida Guaicurus.
Ossos foram retirados do local e encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal) para análise. Embora houvesse forte suspeita de que a ossada pertencesse ao garoto, nem os pais da criança tiveram acesso ao resultado do exame que poderá comprovar se eram ou não do menino. "Estamos esperando. É só o que nos resta", diz a mãe Eliane Martins.
Em entrevista ao Campo Grande News dia 15 de abril, a responsável pela Coordenadoria de Perícias, Ceres Ione de Oliveira Maksoud, afirmou que todos os laudos requisitados pela Polícia Civil já tinham sido entregues.
A morte de Dudu sempre foi cercada por muito sigilo e diferentes versões. Mesmo em meio a tantas divergências, o nome de Cido sempre figurou como principal suspeito.
A principal hipótese é de que teria cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento com Eliane. Boatos indicavam até que a morte estava ligada a rituais de magia negra, já que Cido é pai de santo.
Na época do desaparecimento, ele chegou a pedir à Polícia que fosse à casa onde morava para quebrar o piso devido à desconfiança dos vizinhos, pois Cido havia colocado concreto no imóvel dias depois do sumiço. A suspeita das pessoas era de que ele pudesse ter enterrado o corpo e construído o piso por cima. Nada foi encontrado no local.
O caso parecia ter caído no esquecimento quando foi encaminhado à Deaij (Delegacia Especializade de Atendimento à Infância e Juventude), um ano após o desaparecimento do menino. Os jovens presos por ligação no crime delatam Cido como mentor.
Os garotos contam que espancaram Dudu até a morte. Já o corpo, a grande dificuldade da Polícia, foi enterrado pelos agressores.
Entretanto, há a suspeita de que Cido possa ter desenterrado o garoto, que teria sido esquartejado. Nem todas as evidências fazem com que Cido revele detalhes do assassinato. Ele nega qualquer participação no caso.
Fonte: Campo Grande NewsCadastrada em: 30/4/2009