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Viúva de Franselmo ameaça recorrer à União para frear canaviais
Crédito: ArquivoIracema com a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva
A ambientalista, viúva de Francisco Anselmo Gomes de Barros, o Francelmo, Iracema Sampaio disse ao Midiamax que se passar na Assembléia Legislativa o projeto que prevê a extinção de limites para instalação de usinas, ela irá à Brasília (DF). Caso os empreendimentos se aproximem da maior bacia alagada do mundo, o Pantanal, Iracema Sampaio acredita que os ambientalistas não ficarão calados.

"Eles podem fazer o que quiserem, mas não vão ter para quem vender o álcool porque ninguém vai querer comprar. Já me fizeram um mal tão grande como foi a perda do meu marido. Por conta disso, mas se for preciso, a gente vai para Brasília porque a Constituição está ao nosso lado e eles não podem fazer daqui como se faz na casa da mãe Joana", frisa.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva chegou a visitar Iracema Sampaio, na Capital, após o incidente envolvendo o ambientalista.

Em protesto na Rua Barão do Rio Branco, no mês de novembro do ano de 2005, Franselmo ateou fogo em seu corpo durante protesto contra a instalação de usinas de álcool na bacia do Rio Paraguai. Na época, tramitava na Assembléia Legislativa um projeto para alterar a lei 328, permitindo a instalação de usinas sucroalcooleiras na BAP (Bacia do Alto Paraguai).

O projeto não foi aprovado pelos deputados, contudo, em 2006, o autor da matéria, Dagoberto Nogueira conseguiu aprovar outro texto, que permite a ampliação das usinas existentes no Alto Paraguai. Desde a sua morte em 2005, Francelmo é lembrado com homenagens durante o mês de novembro. Hoje, foi aprovado em primeira discussão, nesta manhã, na Assembléia Legislativa, o Projeto de Lei 097/08 que acaba com a distância mínima de 25 quilômetros entre usinas de álcool e açúcar em Mato Grosso do Sul.

Polêmica

A votação causou polêmica, mas além de acabarem aprovando o parecer da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) favorável à matéria, os parlamentares ainda derrubaram a emenda apresentada pelo deputado estadual Ary Rigo (PDT).

Minutos antes do incidente envolvendo o Franselmo em 2005, Rigo esteve no protesto na Rua Barão do Rio Branco e chegou a conversar com o ambientalista.

O pedetista queria excluir nove municípios de Mato Grosso do Sul da nova regra proposta pelo projeto de lei da base governista. Ou seja, ele propunha, na verdade, que nestas cidades, entre elas Dourados, Maracaju e Rio Brilhante fosse respeitada a distância mínima prevista na legislação atual. A CCJR deu parecer contrário à tramitação da emenda.

No plenário apenas seis deputados, o próprio autor da emendas, os petistas, Paulo Duarte, Pedro Kemp, Pedro Teruel e Amarildo Cruz, além de Marquinhos Trad (PMDB) votaram pela derrubada do parecer da comissão.

Mas, a base aliada predominante na Casa teve votos suficientes para manter o parecer da CCJR contra a emenda e ainda aprovar o projeto. Para sepultar de vez o fim de exigência de distância mínima entre as usinas em território sul-mato-grossense, o projeto que é de autoria do líder do governo, Youssif Domingos (PMDB) precisa ser aprovado em segunda votação e depois sancionado pelo governador André Puccinelli (PMDB).

O líder argumenta que é necessário ampliar a produção de álcool do Estado. Ele cita ainda a preocupação do governo estadual em provar para o governo federal que produzirá alcool suficiente para tornar viável a obra do alcoolduto que está sendo pleiteada junto a Petrobras.


Fonte: Midiamax
Cadastrada em: 2008-06-24
Pelo colaborador:
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