Oportunidade de emprego reduz reincidência criminal
O oferecimento de trabalho aos internos que progridem de regime ou conquistam a liberdade condicional é uma das principais armas na busca pela reinserção social. Prova disso são os índices apresentados pelo Conselho da Comunidade de Campo Grande, que apontam menos de 5% de reincidência entre os que a entidade conseguiu encaminhar para o mercado de trabalho, por meio do Programa Elo.
Porém, a oferta de emprego ainda é escassa, devido ao grande preconceito em relação à pessoa que acaba de sair da prisão, segundo o presidente do Conselho na Capital, Nereu Rios. "É preciso mudar a visão da sociedade para que ela participe no processo de ressocialização, principalmente dando oportunidade de trabalho", ressalta o presidente da entidade.
Rios destaca que o oferecimento de serviço para esse público - internos do semi-aberto, aberto e condicional - traz benefícios para todas as partes. "O empregador diminui os custos com os encargos trabalhistas, reduzindo seus gastos até pela metade; o detento garante seu sustento financeiro e remição na pena, e a sociedade tem mais segurança, já que é um a menos no mundo da delinqüência", diz.
Atualmente, na Capital, 13 órgãos públicos e duas empresas privadas aproveitam mão-de-obra encaminhada pelo Conselho da Comunidade, entre eles a Embrapa, o Procon e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública. "O Estado economiza uma média de 1,3 milhões por ano com essa contratação em órgãos públicos", informa Rios.
De acordo o diretor administrativo do Conselho da Comunidade, Joaquim Soares de Oliveira Neto, a oferta de trabalho para o projeto desenvolvido pela entidade tem apresentado uma leve melhora. Em agosto, são 136 reeducandos - encaminhados pelo conselho - trabalhando; no início do ano totalizava 120. Eles recebem um salário mínimo, cesta básica e vale transporte.
Outro dado positivo apresentado pelo conselho é que atualmente 15 pessoas, que já concluíram a pena e faziam parte do Programa Elo, conquistaram a carteira assinada, continuando na empresa em que trabalhavam.
A seleção dos trabalhadores é realizada pelo Patronato Penitenciário da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e se faz por meio de um processo rigoroso, sendo analisados o histórico comportamental, aptidão para o tipo de trabalho, senso de responsabilidade, etc.
Depois que eles iniciam no emprego também é feito controle de folha de freqüência, com rígida cobrança de horário e assiduidade, além de serem acompanhadas as questões de disciplina, higiene e asseio.
O sacolão é entregue pelo Conselho da Comunidade na residência do reeducando. "É uma forma de termos contato com a família e acompanharmos as condições em que ela está vivendo", comenta Nereu Rios. "Precisamos não só cuidar dos pais, mas também dos filhos, para evitarmos que eles também entrem para o mundo da criminalidade", completa.
Mudança de vida
José Raimundo Ferreira, 44 anos, que está em regime de Livramento Condicional, é um dos 24 reeducandos que trabalham no Parque das Nações Indígenas e fazem parte do Programa Elo. Para ele, a oportunidade de trabalhar e garantir o sustento de sua família foi decisivo para que não retornasse para o mundo da criminalidade. "Muitas vezes a pessoa sai da prisão e não consegue emprego, todo lugar pede antecedentes criminais, aí a saída que alguns encontram é assaltar ou traficar", diz.
Para Ferreira, o trabalho no Parque das Nações tem garantido uma nova vida a ele e a sua esposa grávida de sete meses. "Nesses quatro anos que eu estou trabalhando aqui tenho conseguido pagar o aluguel da casa, já financiei uma moto, abri crediário em loja e conta em banco, me sinto um cidadão normal", garante.
Busca por parcerias
O Conselho da Comunidade de Campo Grande está trabalhando para ampliar cada vez mais as parcerias com empresas. "Oferecemos mão-de-obra em praticamente todas as frentes de trabalho", diz. "Além da redução de custos, também temos como propaganda o sucesso das parcerias já estabelecidas", garante, destacando que até no ramo de vigilância já têm reeducandos inseridos.
A empresas interessadas podem obter outras informações no site www.conselhodacomunidadecgms.org , ou entrar em contato pelo telefone 3028-7646.Fonte: Notícias MS
Cadastrada em: 2008/8/28
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