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Grupo de Samba Brasilidade canta Cartola no Cena Som
A proposta dos músicos é ressaltar a importância deste grande compositor, poeta, cantor e instrumentista, na história da música brasileira.
Crédito: Arquivo
Crédito: Arquivo. Legenda:
Crédito: Arquivo. Legenda:
O Grupo de Samba Brasilidade se apresenta no Projeto Cena Som nesta quinta-feira, 09 de outubro, às 21h, no Teatro Aracy Balabanian do Centro Cultural José Octávio Guizzo. O show "Grupo de Samba Brasilidade Canta Cartola" é uma homenagem ao centenário do nascimento de Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. A proposta dos músicos é ressaltar a importância deste grande compositor, poeta, cantor e instrumentista, na história da música brasileira.

Com uma linguagem voltada para o samba tradicional e uma leve passagem pela Bossa Nova, sem perder a proposta inicial de divulgar o trabalho voltado para o Samba e seus grandes compositores, o Grupo de Samba Brasilidade fará uma apologia às músicas de Cartola. O repertório da noite inclui canções como As Rosas não Falam, Preciso me encontrar, Amor Proibido, O mundo é um moinho, entre outras.

Estão confirmadas participações especiais dos cantores Marcelo Dias, Áttila Teixeira Gomes e Gideão Dias, além de Adriano Praça com instrumentos de sopro: Flauta Transversal, Sax e Clarinete. O grupo também contará com músicos de tradição no samba sul-mato-grossense como o cavaquinista Edmar Camargo e os percussionistas Joelson Santos (Bira) e Deivison Vicente (Buiu).

"Com esse show, o grupo de samba Brasilidade pretende contribuir e potencializar o samba em Mato Grosso do Sul, interpretando canções deste grande compositore," destaca a integrante Ana Cristina.

Atualmente o Grupo de Samba Brasilidade é composto por Ana Cristina Piccini (voz), Maria Alves (voz), Susi Cruz (voz), Thiago Alves (voz e percussão), Paulo Fernando (voz e pandeiro de couro) e Orlando Brito (Violão 7 cordas e voz).

Serviço: O Cena Som é um projeto da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul que leva apresentações artísticas todas as quintas-feiras para o Teatro Aracy Balabanian, do Centro Cultural José Octávio Guizzo. O show "Grupo de Samba Brasilidade Canta Cartola" (Cena Som 2008) acontece quinta-feira, 16/10, às 21h, no Teatro Aracy Balananian. Rua 26 de agosto, 453, centro. Campo Grande - MS. Informações 3317-1792. Ingressos antecipados: R$ 7,50 pelo telefone (67) 9229-5036, no dia R$ 15,00.



Brasilidade

O Grupo de Samba Brasilidade surgiu na cidade de Campo Grande - MS, em 02 de dezembro de 2008, com a proposta de pesquisar e interpretar a vertente do samba tradicional. Além do repertório de samba "raiz", os músicos também investem nos figurinos e estudam a vida de grandes compositores do samba.

"Preservar a história do samba se torna um objetivo real a partir do momento em que percebemos as transformações que o samba vem sofrendo no decorrer dos tempos, algo natural, pois toda cultura sofre transformações, e com o samba não seria diferente, mas é necessária a manutenção das origens ou da sua história", defende a integrante Ana Cristina.

O grupo se reúne todo final de semana, na casa do Sr. Alves, pai do integrante Thiago Alves, onde são feitas as discussões em torno das pesquisas sobre os compositores que pretendem cantar ou tocar. São feitas várias análises, as músicas são cuidadosamente escolhidas e estudas para que nada saia fora da proposta.

"Mato Grosso do Sul não é um Estado tradicional na questão do samba, mas temos bons sambistas e pessoas que trabalham com essa vertente do samba tradicional, e por isso destacamos que existe sim, lugar pra todos e principalmente público, pessoas interessadas no trabalho, o que nos deixa muito contentes", diz Ana.



Cartola

Cartola (Angenor de Oliveira). Compositor, cantor, instrumentista.

Rio de Janeiro RJ 11/10/1908-id. 30/11/1980.

Fonte: Enciclopédia da Música Popular Brasileira, editada pelo Itaú Cultural.



Cartola nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Tinha oito anos quando sua família se mudou para Laranjeiras e 11 quando passou a viver no morro da Mangueira, de onde não mais se afastaria. Desde menino participou das festas de rua, tocando cavaquinho - que aprendera com o pai - no rancho Arrepiados (de Laranjeiras) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de "pastorinhas". Passando por diversas escolas, conseguiu terminar o curso primário, mas aos 15 anos, depois da morte da mãe, deixou a família e a escola, iniciando sua vida de boêmio.

Após trabalhar em várias tipografias, empregou-se como pedreiro, e dessa época veio seu apelido, pois usava sempre um chapéu para impedir que o cimento lhe sujasse a cabeça, o qual chamava de cartola. Em 1925, com seu amigo Carlos Cachaça, que seria seu mais constante parceiro, foi um dos fundadores do Bloco dos Arengueiros. Da ampliação e fusão desse bloco com outros existentes no morro, surgiu, em 1928, a segunda escola de samba carioca. Fundada a 28 de abril de 1928, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira teve seu nome e as cores verde e rosa escolhidos por ele.

Foram também fundadores, entre outros, Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi. Para o primeiro desfile foi escolhido o samba Chega de Demanda, o primeiro que fez, composto em 1928 e só gravado pelo compositor em 1974, no LP História das escolas de samba: Mangueira, pela Marcus Pereira. Em 1931, Cartola tornou-se conhecido fora da Mangueira, quando Mário Reis, que subira o morro para comprar uma música, comprou dele os direitos de gravação do samba Que infeliz sorte, que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos e conservando a autoria: assim foi com Não faz, amor (com Noel Rosa), Qual foi o mal que eu te fiz? e Divina Dama, todos gravados pela Odeon, os dois primeiros em 1932 e o último em janeiro de 1933.

Ainda em 1932, o samba Tenho um novo amor foi gravado por Carmen Miranda. Do mesmo ano é a gravação do samba Na floresta, em parceria com Sílvio Caldas, lançado por este último, e a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça, o samba Pudesse meu ideal, com o qual a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal "O Mundo Esportivo".

Em 1936, a Mangueira teve premiado no desfile seu samba Não quero mais (com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), gravado por Araci de Almeida, na Victor, em 1937, e em 1973 por Paulinho da Viola, na Odeon, com o título mudado para Não quero mais amar a ninguém. Em 1940, participou, ao lado de Donga, Pixinguinha, João da Baiana e outros, de gravações de música popular brasileira para o maestro Leopoldo Stokowski (1882 - 1976), que visitava o Brasil. Realizadas a bordo do navio Uruguai, ancorado no pier da Praça Mauá, essas gravações deram origem a dois álbuns de quatro discos de 78 rpm, lançados nos EUA pela gravadora Columbia. No rádio, atuou como cantor, apresentando músicas suas e de outros compositores. Na Rádio Cruzeiro do Sul, ainda em 1940, criou, com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes, sendo premiado o nome escolhido.

Em 1941, formou com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em São Paulo, em um programa da Rádio Cosmos. A partir dessa época, o sambista desapareceu do ambiente musical. Muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã com seu samba-enredo Vale do São Francisco (com Carlos Cachaça).

Cartola só foi redescoberto em 1956, quando o cronista Sérgio Porto o encontrou lavando carros em uma garagem de Ipanema e trabalhando à noite como vigia de edifícios. Sérgio levou-o para cantar na Rádio Mayrinck Veiga e, logo depois, Jota Efegê arranjou-lhe um emprego no jornal "Diário Carioca".

A partir de 1961, já vivendo com Eusébia Silva do Nascimento, a Zica, com quem se casou mais tarde, sua casa tornou-se ponto de encontro de sambistas. Em 1964, resolveu abrir um restaurante, o Zicartola, na Rua da Carioca, que oferecia, além da boa cozinha administrada por Zica, a presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro. Freqüentado também por jovens compositores da geração pós bossa-nova (alertados para a sua existência desde o show "Opinião", no qual Nara Leão incluíra o samba O sol nascerá, de Cartola e Elton Medeiros, que mais tarde gravaria), o Zicartola tornou-se moda na época. Durou pouco essa confraternização morro-cidade: o restaurante fechou as portas, reabrindo em 1974 no bairro paulistano de Vila Formosa.

Contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, vivendo na casa verde e rosa que construiu no morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara, somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, o compositor gravou seu primeiro LP, Cartola, na etiqueta Marcus Pereira. O disco recebeu vários prêmios. Logo depois, em 1976, veio o segundo LP, também intitulado Cartola, que continha uma de suas mais famosas criações, As rosas não falam, e o seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por 4 meses.

Em julho de 1977, a Rede Globo apresentou com enorme sucesso o programa "Brasil Especial" número 19, dedicado exclusivamente a Cartola. Em setembro do mesmo ano, Cartola participou, acompanhado por João Nogueira, do Projeto Pixinguinha, no Rio. O sucesso do espetáculo levou-os a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Ainda em 1977, em outubro, lançou seu terceiro disco-solo: Cartola - Verde que te quero rosa (RCA Victor), com igual sucesso de crítica.

Em 1978, quase aos 70 anos, mudou-se para o bairro de Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo. Neste mesmo ano estreou seu segundo show individual: Acontece, outro sucesso. Em 1979, lançou seu quarto LP: Cartola - 70 anos. Nesta época, descobriu que estava com câncer, doença que causaria sua morte, em 30 de novembro de 1980.

Em 1983, foi lançado, pela Funarte, o livro Cartola, os tempos idos, de Marília T. Barboza da Silva e Arthur Oliveira Filho. Em 1984, a Funarte lançou o LP Cartola, entre amigos. Em 1997, a Editora Globo lançou o CD e o fascículo Cartola, na coleção "MPB Compositores" (n°12).


Fonte: Portal MS

Cadastrada em: 2008/10/13
Pelo colaborador:
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