Delcídio diz que governo já refaz contas e pode cortar emendas
BNDES vai repassar mais R$ 5 bi para financiar operações de comércio exterior dentro do pacote brasileiro contra crise mundial
| Crédito: TV MorenaSenador Delcído Amaral (PT-MS), relator do Orçamento Geral da União, prevê cortes de emendas parlamentares. |
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator do Orçamento Geral da União, afirmou, em entrevista ao Bom Dia MS, que o governo terá que refazer as contas por causa da crise econômico-finaceira dos Estados Unidos, que já contamina o resto do mundo.
Para Delcídio, o governo já está tomando medidas, mas é muito provável que elas se aprofundem e atinjam outros setores. "Se o mundo entrar em recessão ou crescer pouco, a economia brasileira também vai crescer pouco, e isso tem impactos na arrecadação. Tendo impactos na arrecadação, você vai ter que fazer cortes. Cortes ou nas despesas ou cortes nos investimentos ou cortes em emendas parlamentares", afirmou Delcídio.
Segundo o senador, estados e municípios também têm que se ajustar para enfrentar o agravamento da crise, com cautela, prudência e rigor nos gastos. A seu ver, toda base da economia deve ser afetada.
Ontem o governo anunciou mais um socorro a empresas e pequenos bancos com uma medida provisória de emergência. O Banco Central também ganha mais poder. Depois de reunião do Conselho Político, o governo anunciou que vai mexer nas reservas internacionais para socorrer também exportadores.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou que o Brasil está lidando com reflexos da falta de crédito internacional e que o problema aqui é importado.
"Essa não é uma crise simples. Pelo contrário, é uma crise muito forte, talvez a maior crise desde 1929, e ela não vai terminar tão cedo. Hoje nós estamos em um momento de irracionalidade e comportamento de manada. É o pior momento da crise", definiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a realidade da crise.
Como escudo, o governo anunciou mais de US$ 200 bilhões em caixa. "Nós temos recursos suficientes para enfrentar a crise. Não que ela não afete. Como disse o ministro [Guido Mantega], afeta a todos, mas temos recursos suficientes para enfrentá-la com serenidade", afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Mas, por precaução, o governo apresentou as armas e vendeu US$ 1,5 bilhão para colocar mais dinheiro no mercado. O Banco Central também decidiu comprar títulos de bancos no exterior com garantia de recompra. Assim, os bancos passam a ter mais dólares para oferecer linhas de crédito a exportadores brasileiros. E mais: o BNDES vai repassar mais R$ 5 bilhões para financiar operações de comércio exterior.
Novas medidas foram tomadas logo em seguida. Depois de uma reunião do conselho político, no Palácio do Planalto, o governo anunciou uma medida provisória que dá mais poderes ao Banco Central. São poderes para criar uma espécie de cheque especial para que pequenos bancos possam financiar operações de crédito, oferecendo a carteira como garantia. Outra medida permite empresas de leasing a emitir papéis mais fáceis de serem negociados no mercado.
As medidas assinadas pelo presidente Lula têm que ser aprovadas no Congresso dentro de um prazo, mas já estão valendoFonte: TV Morana
Cadastrada em: 2008/10/7
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