Catador de lixo é indicado para levar prêmio nacional
| Crédito: Seu José acredita que o prêmio pode dar impulso ao trabalho. |
O vice presidente da Coopervida (Cooperativa dos Agentes Recicladores Vida Nova), José Pedro Tavares, já foi sapateiro, eletricista e catador em lixão, mas desta vez foi pego de surpresa pela indicação ao Prêmio Betinho - Atitude Cidadã, do COEP Brasil - Rede Nacional de Mobilização Social.
O prêmio faz parte das comemorações pelos 15 anos da rede e busca valorizar pessoas que lutam cotidianamente contra a fome e pela promoção da cidadania.
Em cada um dos 27 municípios listados no site da instituição, o COEP e Organizações parceiras indicaram três pessoas que serão eleitas em votação pela Internet.
Seu José, que nunca tinha ouvido falar do prêmio e também não conhece o ativista dos direitos humanos Betinho, fundador do COEP, concorre na Capital com a gerente da unidade do SESC Camillo Boni, Maritza da Silveira Côgo, responsável pela implementação do programa Mesa Brasil no SESC, em Campo Grande e em Dourados, e com o empresário Ueze Elias Zahran, criador da Fundação Ueze Elias Zahran.
O empresário Ueze Zahran seu José conhece da televisão, e acha que o páreo vai ser duro.
"Até preparamos um material de campanha que estamos distribuindo para as pessoas, um papelzinho simples que tem o endereço para as pessoas votarem pela Internet. Os meus conhecidos estão até mais envolvidos do que eu, mas acho importante, porque pode ajudar a divulgar o nosso trabalho e estamos precisando disso", diz o candidato.
A Coopervida, que foi fundada há oito anos, e tem 27 pessoas em seu quadro de associados, não vai bem. Localizada no Jardim Aerorancho, a sede da cooperativa, um pequeno salão com terreno aos fundos para armazenagem de material, é muito distante do centro da cidade e isso faz com que 15 carrinhos de coleta estejam parados. "É muito longe, do centro até aqui é possível fazer apenas uma viagem por dia, e aí não compensa".
Os trabalhadores, que já chegaram a ganhar até um salário mínimo, hoje ganham cerca de 60% disso. "Continuam porque são fiéis à cooperativa", diz seu Zé, que se preocupa com o vencimento do contrato de aluguel de R$ 390,00 no fim do ano, "se aumentar não sabemos como vai ficar".
Seu José acredita que o prêmio pode dar impulso ao trabalho e despertar interesse da comunidade, e se entusiasma quando diz que a projeção provocada pela premiação poderia ajudar as pessoas a verem de outra forma do trabalho dos catadores, e principalmente o trabalho das pessoas que vivem do "Lixão".
"Trabalhei cinco anos lá, depois que deixei um emprego em uma fábrica de doces onde eu e minha mulher trabalhávamos para ganhar R$ 20 por semana cada um. Eu tinha preconceitos também, ninguém quer trabalhar no lixão. Mas com idade eu já não conseguia emprego e tive que enfrentar. Acabei aprendendo que é um trabalho de gente digna e que precisa ser realizado em condições melhores", diz seu José.
O vice-presidente da Coopervida acha que se o trabalho ganhar visibilidade mudanças benéficas podem ocorrer para a classe. "Esse serviço tem que ser mais visto pela sociedade e visto de outra maneira. Temos que conseguir implantar um verdadeiro sistema de coleta seletiva, tem muita coisa que pode melhorar para o trabalhador, mas precisa do envolvimento das pessoas e do poder público", diz seu Zé.
Prêmio - O site do Coep informa que o prêmio, que é uma peça comemorativa e não distribuirá recursos financeiros, "quer dar rosto, voz e reconhecimento a quem participa ativamente da comunidade onde vive, e acredita que cada um(a) - a seu jeito - pode fazer a sua parte para construir um Brasil melhor e mais justo".
Serão eleitos pelos internautas um dos três nomes indicados por município, e do conjunto de candidatos também será eleito um nome por região do país.
A votação está aberta no site do Coep Brasil (www.coepbrasil.org.br/premiobetinho/).Fonte: Campo Grande News
Cadastrada em: 2008/8/28
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