Galeria de Imagem |
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A artista Priscilla Paula Pessoa desenvolveu suas habilidades com arte desde menina. Formada pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em Bacharel em Artes Visuais, hoje ela já é especialista em Imagem e Som e mestranda em Estudos da Linguagem, além de ser Professora de História da Arte.
Trabalha desde 1996, quando montou seu ateliê, com pintura, desenho e ilustração digital. Seus quadros possuem toda uma preocupação com questões conceituais e a poética da obra.
Em entrevista ao Portal MS ela fala um pouco sobre seu trabalho, que é sua paixão.
Portal MS: Por que quis fazer faculdade de arte?
Desde criança eu desenho, acho que como todo artista, essa paixão vem desde cedo. Eu não tinha certeza se eu deveria fazer faculdade de artes, pela dificuldade de sobreviver com este ramo. Então eu fiz faculdade de Direito e junto fiz artes. Mas eu percebi que Direito na era o que eu queria mesmo. E me dediquei mesmo foi em Artes Visuais.
Portal MS: Como foi surgindo seus diversos trabalhos, pintura, ilustração, decoração?
Para que eu sobrevivesse da arte com dignidade, pensei que se eu fizesse só os meus trabalhos contemporâneos não iria dar muito certo. Por isto, comecei a desenvolver um lado comercial também. Passei a fazer ilustrações, decoração para os ambientes e desenhos infantis.
Eu tenho uma parceria com um estúdio de São Paulo, a Ilustra Net, que me repassa alguns trabalhos, esse é o bom da internet. Também fiz parcerias com decoradores, que me chamam para fazer detalhes de algum ambiente, como uma pintura na parede.
Portal MS: Você já fez algum curso de decoração, design gráfico?
Hoje em dia para se fazer ilustração é necessário aprender a mexer com alguns programas de computação gráfica, para realizar a finalização da arte. Então, eu até posso desenhar primeiro, mas depois tenho que retocar no computador. Curso mesmo eu não fiz, tive que aprender na marra mesmo. Um pouco do meu aprendizado veio do estúdio que trabalhei de animação.
Portal MS: Seus quadros, de a “A vida não é filme”, são baseados em cartazes de filmes?
Todos os quadros são parecidos com os cartazes de filmes, mas com uma visão satírica. Porque nem tudo é como um filme. É um jogo com as coisas do cotidiano, entre o que você quer e como são realmente as coisas. Em dos meus quadros, por exemplo, eu substituí a perna de uma mulher com meia de seda, que estava no cartaz e pintei uma perna mecânica no lugar.
Portal MS: Como ocorre com você essa mudança de fase nas suas pinturas?
Todo ano eu produzo quadros contemporâneos, algo pessoal que faço para exposições. São cinco os meus trabalhos: Mitológicas, Carne de papel, Máscaras, A vida não é filme e Inseticida. Depois do meu penúltimo trabalho eu comecei a desenvolver a questão da linguagem, colocar a escrita mesmo, junto com as cores, a composição, a forma, tudo muito visual. E sempre a presença da figura humana, que é minha paixão. Isto é algo que não vai sair dos meus trabalhos.
Portal MS: Quais são os materiais que usa para fazer seus trabalhos?
Meus trabalhos são feitos com tinta a óleo, com uma mistura de pintura com colagem de tecidos, sempre ligados com desenhos.
Os meus outros trabalhos, às vezes faço no papel e pinto com aquarela, mas o retoque final é feito no computador.
Portal MS: Quais são seus próximos projetos?
Eu poderia dizer que tenho três profissões, pintora, professora e decoradora. Trabalho em média 10 horas por dia. Artista que fala que trabalha pouco é porque tem pouca demanda. Com tudo isto, vou achar um tempo para começar a pintar meu próximo trabalho, provavelmente em agosto.
Portal MS: Já expôs fora do Estado?
Eu já tive exposições em São Paulo, Goiana, mas para falar a verdade eu deixei de ter desespero em querer participar das mostras. Porque no começo é assim, o artista quer ter seu trabalho exposto, valorizado, mas é um processo demorado. Então eu me inscrevo para algumas exposições, para não tenho mais aquela ânsia de ter meu trabalho selecionado.
Portal MS: Qual a sua visão do mercado de arte aqui no Estado?
Depende muito da arte. Têm muitas pessoas fazendo manifestações culturais, o artesanato é o mais freqüente. A arte contemporânea ainda está caminhando. Aqui no Estado deve ter 10, 15 no máximo de artistas com pinturas que vai além do simples visual. Não há o público para observar a arte contemporânea, por isto, que poucas pessoas se aventuram, envolve todo um processo de pesquisa e realização de um roteiro. Mato Grosso do Sul tem muito que desenvolver.
Entrevistada por Letícia Reynaldes Dias.