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Formada, em 1973, pela Escola de Belas Artes de Curitiba, Lúcia Mont Serrat acabou desenvolvendo mais tarde seus projetos artísticos. Hoje é professora na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, dando aulas de Técnicas artesanais, Arte e educação e Oficina de desenho. No entanto, logo vai se aposentar, assim se dedicará quase que exclusivamente à sua arte.
Suas habilidades com a arte começaram a se desenvolver ainda criança. Com uma família de artistas, o pai toca instrumentos e a mãe ensinou o tricô, crochê e um pouco de artesanato. Seu avô costumava pintar animais (galinhas) e também os próprios animais. Nas paredes da casa dele, Lúcia relata, haviam várias figuras pintadas por ele, plantas e objetos variados. Ela diz que “pegou” um pouco este lado louco do avô.
Foi convivendo com estas pessoas que ela chegou hoje no patamar que está. Seus trabalhos de pintura percorreram diversos caminhos, desde figuras femininas a pinturas carregadas de densidades e cores vibrantes.
Portal MS: Você nasceu em Curitiba e fez faculdade lá, como foi o processo até você chegar aqui em Campo Grande?
Foi uma coisa muito engraçada que me ocorreu. Eu estava passando por um momento difícil da minha vida e procurava por trabalho. Em um consultório médico de Curitiba, encontrei por um acaso o reitor da época aqui da Federal e perguntei se em Campo Grande havia curso de artes. Ele disse sim e que a universidade iria abrir processo de seleção para professor. Eu pedi para ele me avisar quando abrisse as inscrições, nem achando que realmente ele fosse me avisar. Mas não é que ele avisou e eu consegui passar, no ano de 82. Era o primeiro ano do curso.
Hoje já faz 25 anos que estou na universidade lecionando. Para mim, parece que eu nasci aqui.
Portal MS: Como começou sua carreira de artista?
Eu, logo que saí da faculdade, não fazia arte. Desenvolvi na faculdade algumas coisas, mas depois que terminei o curso não mexia mais. Fui mesmo voltar a fazer artesanato, pinturas, quando entrei aqui na Federal, quando retornei a ficar no meio das artes, há 25 anos. Voltei a ficar incentivada em produzir.
Portal MS: Qual é a arte que você desenvolve?
Faço pintura em tecido de seda, eu que não sei costurar, pinto no pano para as pessoas usarem como quiserem. Também faço camisetas, eu as customizo. Comecei a inventar um pouco em cima das estampas. E tem o meu trabalho pintura. São trabalhos que não se misturam.
Portal MS: Qual fase você falaria que está agora no seu trabalho?
A gente passa por várias fases na vida e o meu trabalho acaba acompanhando isto, as mudanças que ocorrem.
Portal MS: Se você não fosse professora, acha que sobreviveria da arte?
Eu não sobreviveria de arte, nem de perto. Bem, na realidade, eu sobrevivo de arte, mesmo sendo funcionária pública, dou aulas de arte. Tem quem consiga sobreviver, tem alunos meus que hoje tiram suas rendas da arte, estão ganhando muito dinheiro. Eu, particularmente, não tenho um tino administrativo, que acho que o artista precisa ter para organizar suas exposições, suas finanças. Tenho que ter ao meu lado alguém que veja este lado administrativo.
Portal MS: Quais são os temas dos seus trabalhos?
Por muito tempo eu desenvolvi o tema mulher. Hoje, depois de quebrar o preconceito, faço pinturas de flores. A gente ouvia muito na faculdade, “quem faz flores é porque não sabe fazer outra coisa, fica sempre nisto”.
Mas eu quero mesmo é começar a fazer abstratos, mas ainda não cheguei lá. As pessoas acham que é fácil fazer quadros abstratos, acham que é só fazer uns rabiscos, mas não é assim não. A pintura expressa o momento do artista, uma coisa intimista. Eu estou tentando amadurecer o meu trabalho.
Com as camisetas que eu faço, quero sair um pouco dos rostos estilizados. Estou com vontade de estilizá las com preto e branco e uma boca bem vermelha.
Portal MS: Agora que vai se aposentar pela Universidade, você vai deixar de ter vínculos com o departamento?
Tem um projeto que eu não quero deixar de ajudar, o Projeto Arte na Escola, o qual sou coordenadora. Ele tem o objetivo de ter a educação continuada. Nós fornecemos DVDs, livros de artes, CD com histórias dos artistas. Realizamos também grupos de estudos com os professores e fazemos encontros anuais. Quero continuar no projeto, os professores precisam de coisas novas, eles ficam muito abandonados nas escolas públicas.
Mas agora eu vou passar a dedicar muito mais do meu tempo à arte, fazer novos trabalhos.
Portal MS: Quais são os seus próximos projetos?
De uns 10 anos para cá, eu decidi que faria uma exposição com os meus trabalhos pelo menos uma vez ao ano. Faço tanto sozinha, como com outros artistas.
Comemorei este ano meu aniversário de 60 anos com uma exposição, foram expostas pinturas de quatro fases do meu trabalho.
Eu estou também no bazar permanente do MARCO (todo segundo domingo do mês) com camisetas, pintura em tecido e bijuterias, que são feitas pela minha mãe.
Estou ainda planejando novas exposições para os meus trabalhos que estão por vir.
Entrevistada por Leticia Reynaldes.