Eu tinha a Cindy Crawford, que era uma mistura de poodle com yorkshire. Ela nos foi dada já com um ano de idade e foi o animal mais inteligente que já tive! Nós morávamos ainda em Niterói e o ano era 1990. Eu era solteira, e ela conheceu vários dos meus amigos e namorados! Viveu 18 anos! Ela se foi, mas deixou muita saudade. Um dia, em 2000, eu estava sentindo-me muito só; era casada e feliz, mas faltava algo. Morava na Barra da Tijuca, e Cindy estava na casa da minha mãe em Niterói para fazer-lhe companhia.
Era Natal, e eu queria algo diferente na minha vida. Peguei o carro e fui sozinha fazer uma ‘compra especial’: trouxe a Lilith pra casa, uma Lulu da Pomerânia.
Fiz tudo: levei ao veterinário, comprei as coisinhas dela, que tinha apenas 2 meses, ajudei-a a se alimentar e dormi ao seu lado no chão do quarto, como numa matilha, em que os mais fortes rodeiam os menores até que durmam! Fiz isso várias vezes e, quando mudei-me para São Paulo, a Cindy e a Lilith fizeram muitas milhas de avião! Quando retornei ao Rio, em fins de 2003, minha casa estava em obras e eu estava num flat nas redondezas para acompanhar tudo, mas não podia ficar com elas.
A Cindy ficou uns tempos em Campos, interior do Rio, com o meu irmão mais velho, e a Lilith ficou com a minha avó Yolanda, que morava na Tijuca. Quando eu vim morar em casa, em 2004, ela ainda estava em obras e eu só via as belas de vez em quando. Em 2005, ganhei do Paulo, com quem fui casada , o Joey. Depois veio o Jack Bauer, um dogo canário que chegou de avião dois dias depois do falecimento da Cindy.
Foi um super presente de um canil de Brasília, que parece que adivinhou o meu desejo de ter um cão de guarda. Sempre adorei cachorros de grande porte, mas sempre morei em apartamento! Tenho muita coisa em comum com meus animais.
Vivo quieta como o Joey, que é de uma raça que quase não late, e nós também somos carentes e necessitamos de demonstrações físicas de afeto! Ele adora correr, como eu. O Jack ainda vou descobrir, mas uma coisa eu sei: ele é bem resistente à dor se se machuca por acidente. Eu também. A Lilith e eu temos os cabelos bem parecidos!
Hoje, eu me cobro muito por achar que não tenho para eles o tempo que eles merecem, mas trabalho muito, e alguém tem que trazer a ração pra casa e pagar os cuidados veterinários, né? Cães não são substitutos de fi lhos, mas muitas vezes de amigos. Os cães não hesitam em fazer algo que os humanos muitas vezes evitam: olham nos olhos para se relacionar. Se pudéssemos aprender, enfi m, com eles a demonstrar o nosso gostar sem medo, as nossas vontades, as coisas das quais sentimos falta, seríamos bem mais felizes. ”
Fonte: Revista Bichos & Famosos
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